O que o coração queria dizer.
- Equipa RTM ME

- 4 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Se és como eu, valorizas uma boa conversa. Sejamos honestas: não há nada como estar em contacto com as pessoas que nos são queridas — aquelas que são divertidas, atenciosas e perspicazes. Algumas conversas têm o poder de transformar completamente o nosso dia. E mesmo quando não conseguimos falar cara a cara — seja por videochamada ou por telefone — aquelas trocas de mensagens de texto ou de voz podem ser igualmente significativas.
Mas há algo nas conversas que sempre me intrigou. Às vezes, um diálogo que começa de forma maravilhosa pode descambar com apenas algumas palavras ditas sem cuidado. As palavras têm peso. Não é preciso muito para ofender, trair, insultar ou até destruir a reputação de alguém. “A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto.” Este versículo de Provérbios é um lembrete poderoso — especialmente para quem, como eu, ama as palavras.
É assustador perceber o quanto se pode ferir com tão pouco. Mas, felizmente, há também outro lado desta realidade: as nossas palavras têm igualmente o poder de consolar, defender, encorajar e edificar. Elas podem espalhar esperança e manter a paz. Que alívio saber que a língua não serve apenas para ferir — pode também ser uma fonte de vida. A Bíblia relembra-nos, vezes sem conta, que a forma como usamos as nossas palavras pode trazer cura ou causar dor.
Esta natureza de “duas faces” da fala leva-me a fazer uma pergunta:
“Se tivesses de engolir as tuas palavras, elas alimentariam ou envenenavam a tua alma?”
Acho justo dizer que depende do dia. Quando o nosso coração está leve, as nossas palavras tendem a ser cheias de vida e incentivo. Mas quando estamos sobrecarregados ou frustrados, o nosso discurso pode tornar-se áspero e ferir.
O capítulo 3 de Tiago confronta-nos com uma verdade poderosa: podemos dominar animais selvagens, mas não a língua.
“Todo o tipo de animais, aves, répteis e criaturas do mar é dominado e tem sido dominado pela humanidade, mas ninguém consegue dominar a língua. Ela é um mal incontrolável, cheia de veneno mortal. Com a língua louvamos o nosso Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os seres humanos, criados à semelhança de Deus. Da mesma boca saem louvores e maldições. Meus irmãos, isto não deveria ser assim. Pode a mesma fonte jorrar água doce e água salgada?”
Dominar a língua é uma luta diária para cada um de nós. E, se queremos verdadeiramente travar esta boa luta, precisamos lembrar-nos: a raiz deste problema não está na boca, mas no coração.
“A boca fala do que o coração está cheio” (Lucas 6:45).
As nossas palavras revelam o nosso mundo interior. Então, o que revelam as tuas palavras sobre o teu coração? Estão cheias de graça, ou expõem mágoa escondida, impaciência ou orgulho?
Gostava de te encorajar a fazer novamente esta oração, com as palavras do Salmo 139:23-24:
“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece as minhas inquietações. Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.”
Gosto da ideia de que as nossas palavras podem trazer cura. E acredito verdadeiramente que elas podem ser presentes lindos — especialmente nesta época do Dia de Ação de Graças e do Natal — quando espalhamos esperança através de mensagens, áudios, cartões escritos à mão e muito mais. Sejamos criativos. Falemos vida. Toquemos corações. E que as palavras da nossa boca e a meditação do nosso coração sejam agradáveis ao Senhor, nosso Deus.

Susie Pek
Diretora global do RTM Mulheres de Esperança




Comentários