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Sementes de Esperança

Esperança para as mulheres de todo o mundo e através das gerações.

Mãe, não és Deus - e isso é uma boa notícia

Foto do escritor: Equipa RTM ME
Equipa RTM ME
15 de set.
3 min de leitura

Da adolescência à identidade: o que significa soltar o controlo e descansar em quem realmente sustenta os teus filhos.



Adolescência e controlo: uma combinação impossível


Se sentias que a falta de controlo era difícil nos primeiros anos, espera pela adolescência. É ali que o cérebro da criança parece carregar num botão e afirmar: "Preciso de ser alguém, por mim mesma, fora do ninho.". E isso é biológico.

Entre os 12 e os 20 anos (aproximadamente), os filhos procuram progressivamente construir a sua identidade fora do seio familiar. A busca pela afirmação começa muito antes, mas torna-se muito mais evidente nesta fase.


No meu acompanhamento a famílias no ministério com adolescentes na minha igreja, vi situações em que, por medo das escolhas que eles poderiam fazer, mães (e pais) exerceram domínio excessivo — e por vezes agressivo — que resultou apenas em afastamento afetivo.


E pior: afastamento de Jesus e da comunidade de fé.


Os amigos ganham um peso enorme nesta fase — isso é real. O papel da mãe não pode ser o de "melhor amiga" o tempo todo. Mas é preciso cultivar, ao longo dos anos, uma relação de confiança e respeito genuínos.


O teu filho ou a tua filha é um ser humano único. Não é, e nunca será, a materialização dos teus sonhos.



Controlar os filhos quando não controlas a própria vida


Vamos ser honestas: enquanto tentamos controlar os filhos, a nossa própria vida tem áreas que escapam completamente ao nosso domínio. As emoções, o casamento, as finanças, a saúde, a fé, a sociedade... O que destes realmente controlas?


Como pode uma mulher controlar os filhos se não consegue controlar a si mesma e o seu ambiente?

A narrativa bíblica é sabedoria para a tua vida. Nela encontras princípios para um crescimento saudável e integral — em todas as áreas. E melhor ainda: a fé verdadeira tem a paz como parte do seu fruto.


Quando dizemos que "criamos filhos", há algo de curioso nessa expressão. Porque a verdade é que não nos criamos a nós mesmas — somos seres criados. Educamos os filhos, sim. Mas quem nos criou, no sentido estrito da palavra, foi o Senhor Deus: "E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou." — Génesis 1:27 ARC.


Ser imagem de Deus implica que não somos pequenas deusas. Somos limitadas — e controlar não é um aspecto da Sua imagem que nos foi dado.


Em Génesis, o domínio está associado à criação, não a outros seres humanos. Deus chamou-nos a cultivar e a cuidar — não a dominar.



Pecadoras a cuidar de pecadores


As limitações da criação confundem-se muitas vezes com outra realidade: o pecado. E o pecado está intimamente ligado à não aceitação dos limites — os próprios ou os dos outros.


Queremos soberania, poder, ou mesmo omnisciência.


Se és mãe, a tua responsabilidade inclui reconhecer diante dos filhos que és pecadora. Porquê? Porque os filhos também são pecadores. E as crianças aprendem pelo exemplo.


Se queres os teus filhos rendidos aos pés da cruz, vai tu primeiro. Sê vulnerável. Mostra que o arrependimento e a humildade são possíveis — porque os vivestes. Tal como está escrito: "Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos: escudo é para os que caminham na sinceridade." — Provérbios 2:7–8 ARC



A tua identidade não é ser mãe — e isso liberta-te


Aqui está algo que precisamos ouvir com frequência: a maternidade não é o que tu és. é um papel - belo e importante -, mas um dentro de muitos outros.


A missão que Deus te dá no tempo chamado hoje deve ser desempenhada com base em quem és: filha adoptiva de Deus. É essa a tua identidade mais profunda e mais verdadeira.


Porque a dívida de pecado que nos separou do Criador foi paga pelo Filho — o único "filho sonhado" e ao mesmo tempo "filho recebido" de Deus Pai. O único do seu género. Jesus Cristo é o único filho ideal e real ao mesmo tempo. Ele não é criatura como nós, mães e filhos.


As expectativas em relação aos filhos que Deus te deu para educar precisam estar ancoradas na tua identidade como filha de Deus Pai, em Cristo.


Criaturas-pecadoras-redimidas, parte da família de Deus pela adopção por meio do sacrifício de Jesus Cristo:"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." — João 1:12–13 ARC





Mãe, podes soltar


Não precisas de tentar controlar os teus filhos, a tua vida, ou o que quer que seja. Podes viver como filha adoptiva do Deus cujo relacionamento consigo mesmo é a família perfeita: Pai, Filho e Espírito Santo.

Cultivar. Cuidar. Confiar. É para isso que foste chamada.



Sarah Montino


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