Filhos Descontrolados?
- Equipa RTM ME

- 9 de jun.
- 3 min de leitura
O que ninguém te conta sobre a maternidade real. Uma visão honesta — e libertadora — sobre o que realmente significa criar filhos.
Ninguém te avisou que não irias controlar nada

Vou começar com uma verdade que pode ser desconfortável: os teus filhos nunca estiveram — e nunca estarão — debaixo do teu controlo absoluto. E a boa notícia? Não deveriam estar.
Por mais planeada que tenha sido a tua gravidez, ninguém tem o poder de controlar o que acontece dentro do útero. O bebé vai nascer com todos os membros? O cabelo vai ser castanho, preto ou loiro? A verdade é que não há quem consiga escolher. Mesmo com todos os avanços da genética, o que existe são probabilidades — e há sempre a certeza da dúvida.
Uma amiga minha, quando estava grávida, dizia que se sentia no escuro em relação ao bebé que crescia dentro dela. Que era um desafio imenso não saber o tempo todo se estava tudo bem. E eu percebo isso. Imagino que tu também.
O mesmo acontece nas famílias formadas por adoção, ou naquelas que se constituem com filhos de relações anteriores. Em todos esses cenários, não há escolha nem controlo sobre quem o filho realmente é.
O filho sonhado vs. o filho recebido
Nos meus anos como educadora de infância — sou Licenciada em Pedagogia e trabalhei com crianças dos 2 aos 4 anos no Brasil — ouvi muito sobre a diferença entre o "filho sonhado" e o "filho recebido". E esses dois nunca coincidem.
O "filho sonhado" é perfeitamente controlável — porque foi criado dentro da nossa mente e do nosso coração. Vai ser estudioso, vai comer bem, será gentil, fará desporto, gostará de ler, será sociável... Conheces essa lista, não conheces?
Mas aí o filho nasce — e mostra, logo nos primeiros dias, que é um ser humano e não um desejo. Esse é o "filho recebido". Pode ser mais ou menos parecido com o sonhado, mas nunca igual. E é esse o filho que realmente existe. O filho que é. Uma criatura de Deus, afetada pelo pecado e necessitada de redenção — tal como nós.
O crescimento que ninguém controla
À medida que as crianças crescem, a sensação de falta de controlo cresce com elas. Lembras-te do primeiro dia de escola? Da ansiedade de deixares o teu filho pela primeira vez num ambiente sem o teu olhar?
Essa tensão entre família e escola é muito real. A confiança constrói-se aos poucos. E a sensação de perda de controlo nesse momento pode gerar um sofrimento profundo.
Aqui quero abrir um parêntesis importante: mesmo as famílias que optam pelo ensino domiciliar não estão isentas deste desafio interior. O desejo de dominar cada segundo do contacto dos filhos com o mundo é, na verdade, um pecado. Pode soar duro, mas é o que a Bíblia defende. Não somos Deus: não somos omnipotentes nem oniscientes. Somos chamadas a confiar no Senhor de todo ser que respira.
O que o desejo de controlar revela sobre o nosso coração
Há um pensamento muito comum entre as mães: "O que fiz de errado?"
Quando o filho não corresponde ao que era esperado, a culpa instala-se rapidamente.
E sim — há mães que não respondem adequadamente à responsabilidade da maternidade. Isso existe. Mas a perspectiva precisa de ser realista: o teu papel como mãe é limitado. Mas existe, e é importante.
Avalia honestamente: estás a cumprir o que te é possível? Se sim, descansa em Deus. Se não, é tempo de arrependimento e mudança. Que nenhuma de nós fique presa na passividade ou na culpa.
Acreditar que tens poder suficiente para estragar a vida dos teus filhos é, no fundo, crer que o poder de Deus não consegue alcançá-los. E acreditar que só tu podes fazê-los ser bem-sucedidos ou bons cristãos é crer nas obras e não na Graça salvadora de Jesus Cristo.
— Continua na Parte 2: adolescência, identidade materna e o descanso que Deus oferece à mãe que solta o controlo.

Sarah Montino
Instagram: https://www.instagram.com/_sarahmontino/




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