Herodes
- Equipa RTM ME

- 16 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Quando pensamos no Natal, a nossa mente corre logo para as imagens mais bonitas desta história: a luz suave da manjedoura, o canto dos anjos, os pastores surpreendidos no campo, a estrela que guia os magos. E, no centro de tudo, Jesus — o Deus que se aproxima, o Emanuel que habita connosco.
Mas a Bíblia não esconde que o nascimento de Cristo aconteceu em terreno real, com tensões reais e com pessoas reais. Entre essas pessoas, aparece um homem que contrasta profundamente com a humildade do Menino: Herodes, o rei mau.
Herodes era um homem que tinha nas mãos todo o poder que um ser humano da sua época podia desejar. Tinha palácios, influência, soldados, estabilidade política… e ainda assim vivia perturbado. Ele ouviu falar do nascimento do “rei dos judeus” e, em vez de alegria, sentiu medo. Em vez de esperança, inquietação. Em vez de discernimento, desconfiança.
E isso revela algo importante: quando o coração está cheio de medo, até uma boa notícia parece uma ameaça.
Herodes não temia um bebé; temia perder o controlo. E é aqui que ele se torna um espelho para nós. Porque todos nós, em algum momento, somos tentados a manter Cristo à distância quando sentimos que Ele pode mexer em áreas que preferíamos guardar.
Herodes mostra-nos o que acontece quando insistimos em ser os “reis” da nossa vida: carregamos um peso que não foi feito para nós. A ansiedade cresce. A comparação ganha força. O orgulho ocupa espaço. E a paz fica sempre longe — tão longe quanto o trono de Herodes estava da manjedoura de Belém.
Mas é exatamente nesse contraste que a beleza do Natal se revela.
Enquanto Herodes vivia obcecado com o poder, Jesus chega sem aparência de grandeza. Enquanto o rei mau atuava pela força, Jesus apresenta-se em mansidão. Enquanto um tentava preservar o seu trono a todo o custo, o verdadeiro Rei vinha para entregar a Sua vida e restaurar o nosso coração.
Cristo não nasce num palácio. Nasce num lugar comum, simples, pouco preparado. E talvez seja assim também connosco: Ele não espera que o nosso coração esteja perfeito, ordenado ou brilhante. Basta que esteja disponível.
O Natal faz-nos uma pergunta que atravessa os séculos e chega até nós com a mesma delicadeza e firmeza: quem está a reinar dentro de mim?
Porque há um “Herodes interior” que todos conhecemos —aquele lado de nós que quer controlar tudo, que se defende antes de confiar, que tem medo de ceder, que vê Deus como alguém que pode tirar algo, quando na verdade Ele é o único que pode dar vida.
Mas Jesus vem de outra forma. Ele não reclama espaço: Ele oferece presença. Ele não exige obediência pela força: Ele inspira entrega pelo amor. Ele não invade o nosso coração: Ele bate à porta. E cada vez que abrimos, mesmo um pequeno espaço, algo novo começa a nascer.
Neste Natal, talvez o Senhor esteja a convidar-nos a colocar diante d’Ele aquilo que temos agarrado com demasiada força: o medo que nos trava, o controlo que nos desgasta, a dor que escondemos, os planos que não entregamos, ou aquele silêncio onde nos custa confiar.
Que Cristo encontre em nós aquilo que encontrou na manjedoura: um lugar simples, imperfeito, mas disponível. Um coração onde Ele possa nascer, reinar e trazer paz verdadeira.
Porque quando Jesus reina, o medo perde voz. Quando Jesus reina, a esperança renasce. Quando Jesus reina, até as sombras de Herodes se dissipam.
E é isso que celebramos no Natal: não apenas que Ele nasceu… mas que Ele pode nascer de novo em nós.

Arlete Castro
Coordenadora do Pit Stop Ministério




Comentários