Excesso de Futuro = Preocupação
- Equipa RTM ME

- 11 de ago.
- 4 min de leitura
Vivemos tempos de enorme tensão. Todos os dias somos bombardeadas com notícias de conflitos, guerras e instabilidade económica, e essa pressão acaba por se infiltrar também na nossa vida pessoal: nas relações familiares, nas finanças, nas decisões do dia a dia. Não é por acaso que tantas pessoas sentem hoje uma preocupação quase constante, capaz de roubar a paz e, por vezes, de gerar verdadeiras guerras dentro de casa.

Mas o que é, afinal, a preocupação?
Segundo o Dicionário Online de Português, pode ser definida como uma perda de sossego causada pelo sentimento de responsabilidade, uma ideia fixa e antecipada, uma forma de inquietação ou medo. Resumindo tudo isto numa frase certeira: a preocupação é, no fundo, excesso de futuro. Pensamos demasiado sobre algo que ainda nem aconteceu, antecipamos resultados que talvez nunca se concretizem, e perdemos o presente a viver um futuro imaginário.
A boa notícia é que existem estratégias concretas, testadas e eficazes, para travar este ciclo. E é exatamente isso que vou partilhar aqui: cinco dicas práticas, baseadas no trabalho do psicoterapeuta Frank Tallis, autor do livro How to Stop Worrying, complementadas com uma sabedoria muito mais antiga — os ensinamentos de Jesus sobre como lidar com a ansiedade da vida.
As Cinco Estratégias Para Travar a Preocupação
1. Pratica a aceitação. É fundamental aceitar a incerteza e a falta de controlo total sobre o futuro. Não temos tudo nas nossas mãos, e a arte de viver consiste precisamente em saber gerir aquilo que desconhecemos.
2. Desenvolve habilidades de enfrentamento. Aprender mecanismos saudáveis para lidar com situações adversas é essencial para não nos deixarmos arrastar pela tensão do momento.
3. Limita a ruminação. Quem nunca se viu a rever, vezes sem conta, decisões do passado? A ruminação é como "chorar sobre leite derramado": olhar para trás só é útil quando nos ajuda a tirar lições e a mudar comportamentos. Mais do que isso, não serve de nada.
4. Pratica Mindfulness. Técnicas de Atenção Plena ajudam a mente a focar-se no presente, controlando os pensamentos obsessivos sobre o que ainda está por vir.
5. Desafia os pensamentos negativos. Tallis sugere que confrontemos os pensamentos negativos com factos reais, e não com ideias hipotéticas, substituindo-os pela verdade.
Como praticar o Mindfulness, na prática:
Ficar com a teoria não chega — por isso, aqui fica um pequeno guia passo a passo para começares hoje mesmo.
Segundo o Instituto CRIAP, especializado em saúde mental, a Atenção Plena é um estado em que treinamos a nossa qualidade de atenção ao momento presente e a autocompaixão perante experiências desafiadoras, aprendendo a perceber pensamentos, sensações corporais e emoções sem julgamento.
A boa notícia é que não precisas de equipamento especial, nem de contratar ninguém. Podes praticar de olhos abertos, em caminhada, ou simplesmente numa pausa do trabalho:
Escolhe um espaço tranquilo. Resguarda-te de interrupções e de ruído. Se isso não for possível, usa auscultadores e concentra-te uns minutos na tua respiração ao som de uma música calma, ou aproveita a pausa do almoço para uma caminhada silenciosa.
Começa pela respiração. Respira fundo, sem pressa, sentindo o ar a entrar pelo nariz e a encher os pulmões gradualmente. Retém por uns instantes e depois expira devagar. A respiração, por si só, já acalma o corpo.
Faz um scan corporal. Depois de respirares fundo algumas vezes, percorre mentalmente o teu corpo, de baixo para cima, identificando zonas de tensão — como os ombros ou o pescoço. Quando encontrares uma área tensa, respira fundo e alonga-a ligeiramente.
Pratica a aceitação e a compaixão contigo própria. É normal sentires-te cansada, ansiosa, ou teres tomado decisões menos acertadas. Trata-te como tratarias uma amiga muito chegada. Todos erramos, todos estamos a aprender.
Visualiza um lugar seguro. Imagina-te num espaço onde te sintas bem. Se estiveres a caminhar, procura na paisagem algo que te transmita bem-estar: o cantar dos pássaros, a brisa no rosto, o cheiro das plantas.
Termina com gratidão. Existem sempre pequenas coisas pelas quais podes ser grata. Não as desvalorizes.
O Que Jesus Já Nos Ensinava Sobre Isto
Curiosamente, muito antes de existir o termo "mindfulness", Jesus já abordava estas mesmas questões com os seus discípulos. Em Mateus 6:25-34 e Lucas 12:22-31, Jesus fala diretamente sobre a preocupação com a vida.
Primeiro, relativiza a vida, apontando para a sua brevidade: somos muito mais do que seres físicos, somos também alma e espírito. As experiências físicas passam, boas ou más, mas o espírito permanece. Como ele próprio questiona: "Não é a vida muito mais do que o comer ou o vestir?" e "As vossas preocupações poderão porventura acrescentar um só momento ao tempo da vossa vida?"
Depois, contrapõe a ansiedade com a fé no cuidado de Deus: "E se Deus veste a erva do campo, que hoje é viçosa e amanhã é lançada no fogo, não acham que vos dará também o necessário, almas com tão pouca fé?" E acrescenta que o Pai Celestial sabe perfeitamente do que precisamos — bastando dar prioridade ao essencial.
Por fim, Jesus reforça a atenção no agora, no único momento onde realmente podemos agir: "Não se preocupem com o dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." Não podemos viajar para o futuro nem alterar o passado — mas podemos escolher como viver o presente.
Esta ideia de relativizar a situação também aparece nas palavras do apóstolo Paulo, que em Efésios 1:21 lembra que Cristo está acima de todo o poder e autoridade que possa existir neste mundo — e quando comparamos os nossos problemas com esse poder, eles mudam mesmo de tamanho. E, já preso em Roma, sob risco de morte, Paulo deixou-nos uma frase de enorme sabedoria, digna de ser escrita num lugar visível em casa: "Concentrem os vossos pensamentos em tudo o que é verdadeiro, em tudo o que é honesto, em tudo o que é justo, em tudo o que é puro, em tudo o que é amável e admirável; em tudo aquilo em que há virtude e verdadeiro valor."
Para Concluir
Travar a preocupação não é ignorar os problemas nem fingir que tudo está bem. É, antes, escolher viver um dia de cada vez, aceitar o que não controlamos, desenvolver ferramentas práticas como o mindfulness, desafiar pensamentos negativos com a verdade e confiar que há um cuidado maior sobre a nossa vida. Sonha, traça objetivos, mas não te esqueças: vive-se um dia de cada vez.
Encontra esperança hoje!

Inês Gaspar
Equipa RTM Mulheres de Esperança
Instagram: https://www.instagram.com/seni_rapsag/




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