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Sementes de Esperança

Esperança para as mulheres de todo o mundo e através das gerações.

Deixando a Invisibilidade

  • Foto do escritor: Equipa RTM ME
    Equipa RTM ME
  • 28 de jul.
  • 3 min de leitura
Uma mulher, uma multidão e um Deus que pára para nos ver.

Gostava de refletir contigo por um momento. 


Como seria, se durante 12 anos da tua vida fosses completamente invisível? Invisível na dor. Invisível na solidão. Invisível nas necessidades mais simples.


Privada de gestos tão naturais como receber um abraço, partilhar uma refeição com amigas, caminhar com alguém querido, ir a uma festa, a um casamento ou simplesmente estar num lugar público sem medo ou vergonha.


A mulher de quem te quero falar hoje viveu assim durante 12 anos.


Ela sofria de uma hemorragia contínua. Uma condição que a debilitava fisicamente, mas que também a afastava da convivência social, da família e da possibilidade de construir uma vida comum. Segundo a lei da época, tudo o que ela tocava era considerado impuro. Não podia entrar no templo. Não podia aproximar-se. Era vista… mas não era verdadeiramente vista.


A Bíblia diz-nos ainda que ela tinha gasto tudo o que possuía em médicos, mas em vez de melhorar, a sua situação piorava dia após dia. Para além da dor física, carregava desespero, solidão e vergonha. Uma dor silenciosa, vivida longe dos olhares.

Talvez, em algum momento da tua vida, já te tenhas sentido assim. Invisível. Esquecida. Sem voz. Sem identidade.

Quantas vezes, perante situações que não escolhemos, rótulos que nos colocam ou expectativas que nos são impostas, aprendemos a desaparecer para sobreviver? Quantas vezes o nosso coração sangra em silêncio, enquanto tentamos apenas continuar?


Esta mulher sentia tudo isto. Mas dentro dela ainda havia algo vivo: a esperança.


Ela tinha ouvido falar de Jesus. De um Homem que curava cegos, fazia os paralíticos andar, purificava leprosos e libertava os cativos. Não havia solução humana para a sua dor, mas a fé no que ouvira fez a esperança renascer.


Essa esperança deu-lhe coragem.


Mesmo sabendo que não devia estar ali, entrou no meio da multidão. No meio de tantas pessoas, tantos rostos, tanta confusão… ela continuava invisível. Aproximou-se por trás de Jesus e disse no seu coração:

“Se eu apenas tocar nas Suas vestes, serei curada.” (Marcos 5:28)


E tocou.


Naquele instante, foi curada.

Mas Jesus não deixou que aquele milagre permanecesse invisível.


No meio da multidão que O apertava, Ele parou e perguntou:

“Quem me tocou?” (Marcos 5:30)


Jesus não teme ser considerado impuro, já que tudo o que esta mulher tocava era considerado assim. Jesus sabia que não era um toque qualquer. Muitos O tocavam, mas apenas um toque vinha carregado de fé. Ele reconhece que Dele saiu poder. Ele não queria apenas curar — queria ver. Queria chamar. Queria restaurar por completo. E não permite que esta mulher continue na escuridão. Ele queria trazê-la à luz, não para envergonhá-la mas para valorizar a sua fé e coragem.


Tremendo, ela aproximou-se, prostrou-se diante Dele e contou toda a verdade. Já não podia esconder-se. A fé que tinha sido silenciosa tornava-se agora visível.


E então acontece algo extraordinário.


Jesus olha para ela e chama-a de FILHA.


“Filha, a tua fé te curou. Vai em paz. O teu sofrimento acabou.” (Marcos 5:34)

Num mundo que a conhecia pela sua condição, Jesus devolve-lhe identidade.

Não a chama pela dor. Não a define pelo passado. Chama-a de Filha.


Jesus não só curou o seu corpo, como curou o seu coração e restaurou a sua dignidade. Aquela que viveu anos invisível foi vista, chamada e amada publicamente.


Se hoje te sentes como esta mulher — invisível, cansada, ferida, a sangrar por dentro há demasiado tempo — deixa-me dizer-te isto com muito amor:


Deus vê-te. Deus pára por ti. Deus chama-te de Filha.


Ele quer encontrar-se contigo, no meio da multidão, e lembrar-te que és amada para além dos rótulos, da dor, da doença e das limitações. Ele quer levantar-te e tornar visível aquilo que sempre foste para Ele.

Porque deixar de ser invisível começa quando aceitamos quem somos n’Ele: Filhas amadas.

Recebes esta verdade hoje?








Sónia Simões

Coordenadora do RTM Mulheres de Esperança Portugal

 
 
 

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