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Mulheres: A que traiu


Não sou capaz de dizer o dia ou o momento em que tudo começou. A minha vida em casa era um tormento, casada com um homem que não me olhava, acarinhava, nem dava valor. Diziam a minha mãe e as minhas avós, que era assim mesmo, que não devia esperar nada. O meu papel de mulher era tratar da casa, dos filhos e estar à disposição do meu marido cada vez que a necessidade fosse maior que o seu amor.


O meu corpo jovem, a minha mente criativa, sonhava com algo diferente. E um dia aconteceu. Conheci um homem que elogiou a minha beleza, a cor estranha dos meus olhos, que olhava para mim de uma maneira que nunca tinha visto e fazia nascer em mim sensações inesperadas e nunca antes sentidas. Dos elogios ao toque, ao abraço e ao ato sexual em si, foi tudo rápido. Os seus braços eram fortes, a sua boca era quente e doce e a minha vida passou a ter um objetivo: o momento em que o encontrava a sós.

De vez em quando, sentia culpa e vergonha. Sabia que não era certo o que estava a fazer. Prometia a mim mesma que não haveria uma próxima vez, mas quando o via ao longe, a caminho da aldeia onde vivia, só o seu andar, fazia-me esquecer tudo o resto.


Nesse dia inesquecível, tudo se passou como era costume. Tínhamos um lugar seguro para os nossos encontros amorosos e nem nos apercebíamos que havia gente que já tinha descoberto este segredo. No auge da paixão, nem demos conta que a porta se abriu e lá estavam eles, os espias furiosos, que gritavam palavras nojentas e levaram o meu amante a fugir. Eu, fiquei ali, sem força para reagir. Arrastaram-me tal como estava para a praça, onde estava Jesus, o Mestre. Já ouvira falar Dele, mas nunca O vira antes. Sabia o que me esperava, sentia os pés dos homens que me tinham trazido a formar um circulo à minha volta e pelo canto dos olhos via as pedras que me seriam atiradas.


Ali estava eu, meio despida, esperando ser atingida pela primeira pedra, tremendo de medo e de vergonha. O Mestre pediu que aquele que estivesse sem pecado fosse o primeiro a atirar a pedra. Ouvi-as cair uma a uma, os homens a desaparecerem e por fim fiquei só com Ele. Mas Jesus não disse: “Vou tratar da tua doença sexualmente transmitida”, antes, levantando os olhos de amor para mim disse: “Vai e não peques mais”. Ele sabia que, por baixo da vergonha, dos cabelos desgrenhados, das roupas desalinhadas, havia algo que tinha que ser tratado o mais rápido possível: o pecado.

Sempre ouvira falar de pecado, mas nos olhos do Messias vi claramente o que era: desobediência ao que Deus tinha planeado para mim. Levantei-me sem dizer palavra. Tinha ficado livre do apedrejamento, do pecado.


Será que alguma vez as pessoas da aldeia iriam esquecer? Será que iria ser recebida em casa? Será que teria que deixar a minha família e ir para longe por causa da vergonha? Todas estas perguntas eram como martelos a bater na minha cabeça, mas à medida que andava, a paz que sentira das palavras do Mestre, foi aumentando. Era como se tivesse entrado num campo cheio de flores, onde a brisa refrescava a minha alma turbada.


Sem nenhuma certeza dentro de mim, continuei o caminho para casa. Fosse o que fosse que me acontecesse, uma coisa eu sabia: nunca mais iria pecar! Jesus de Nazaré escrevera a minha sentença no pó e eu estava livre!






Sarah Catarino

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