Quando o Mundo fere, Deus aproxima-se

Em Outubro, voltamos os nossos corações para uma das realidades mais dolorosas e prementes do mundo de hoje: a violência contra as mulheres.

Não é um tema fácil. Mas temos de o discutir.
Acredito que, quando oramos, entramos num espaço sagrado: colocamo-nos na brecha por mulheres cujas vozes foram silenciadas, cujos corpos foram feridos e cujos corações carregam feridas que o mundo não consegue ver.
Os números, por si só, são de dar que pensar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 30% das mulheres — ou seja, quase uma em cada três mulheres em todo o mundo — já sofreram violência física ou sexual ao longo da vida. Algumas nas suas próprias casas. E não fica por aqui.
O tráfico humano continua a devastar comunidades por todo o mundo. As mulheres e as raparigas representam 71% de todas as vítimas de escravatura moderna, o que significa que, neste preciso momento, cerca de 35 milhões de mulheres e raparigas vivem alguma forma de exploração. A maioria das raparigas vítimas é traficada para fins de exploração sexual.
Estes não são apenas números. Por trás de cada número há um rosto, um nome, uma história — uma filha, uma mãe, uma irmã. E cada uma delas importa profundamente a Deus. Ele criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança e colocou-os num mundo perfeito, um mundo sem violência.
Mas o pecado entrou no mundo, e tudo mudou. Os desejos do coração humano foram distorcidos, e até hoje o pecado deixa a sua marca. O pecado destrói, mas Deus restaura.
Agarremo-nos a esta verdade enquanto oramos: Deus cuida das mulheres!
Mesmo nas leis antigas do Antigo Testamento, muito antes de o mundo falar de direitos humanos ou dignidade, Deus já legislava a favor das mulheres: protegendo-as, honrando-as, recusando-Se a deixar que fossem tratadas como mercadoria.
O Seu coração não mudou!
Como seguidores de Cristo, somos chamados a buscar justiça para os que são oprimidos e maltratados. A Bíblia fala continuamente do desejo de Deus por justiça e retidão, exortando-nos a proteger os vulneráveis.
Diz o Salmo 82:3-4: “Façam justiça ao pobre e ao órfão, defendam os direitos do oprimido e do desamparado. Livrem o pobre e o necessitado, libertem-nos das garras dos perversos.”
A violência, seja física, psicológica, verbal ou sexual, nunca foi desígnio de Deus. Cada acto de crueldade contra uma mulher parte o coração do Pai. Ele vê aquilo que o mundo ignora. Ele ouve os clamores que não são pronunciados. Ele aproxima-Se dos que sofrem em silêncio.
É precisamente por isso que as nossas orações importam. Quando intercedemos por mulheres presas em lares violentos, por raparigas exploradas e traficadas, por mulheres cujas almas carregam as cicatrizes invisíveis do abuso, estamos a dizer: "Ela importa. A vida dela importa. A cura dela importa."
Por isso, ao orarmos este mês, façamo-lo tanto com dor como com esperança. Dor, porque este sofrimento é real e doloroso. E esperança, porque servimos um Deus poderoso para salvar, curar e restaurar.

No início do Seu ministério na Terra, Jesus leu esta passagem de Isaías: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu para trazer as boas-novas aos pobres. Ele me enviou para anunciar que os cativos serão soltos, os cegos verão, os oprimidos serão libertos (Lucas 4:18).
Deus vê cada mulher, mesmo aquelas que o mundo esqueceu, e ama-as além de toda a medida.
Obrigada pelo vosso coração compassivo e pelas vossas orações fiéis.

Susie Pek
Diretora Global
RTM Mulheres de Esperança
Instagram: https://www.instagram.com/susiepek/



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