Para além do conhecimento
- Equipa RTM ME

- 3 de mar.
- 3 min de leitura

Em março, muitos países em todo o mundo fazem uma pausa para celebrar as mulheres no Dia Internacional da Mulher. Em diferentes regiões, os meios de comunicação social, igrejas, empresas e organizações lançam campanhas de sensibilização que destacam os desafios enfrentados pelas mulheres.
Um dos temas recorrentes é o acesso à educação. Segundo a UNESCO, em 2024 as mulheres representavam quase dois terços dos 739 milhões de adultos analfabetos em todo o mundo — ou seja, 466 milhões de pessoas que não conseguem utilizar esta ferramenta essencial para a aprendizagem e para o sucesso ao longo da vida. Este número impressionante recorda-nos o nosso profundo desejo de que meninas e mulheres, em todo o lado, possam ler, escrever e desenvolver pensamento crítico. Acima de tudo, ansiamos que possam ler por si mesmas a carta de amor de Deus à humanidade.
Como professora, sei bem como o conhecimento é precioso. Ver alguém descobrir o maravilhoso mundo da leitura — juntar letras, pronunciar palavras em voz alta e compreender o seu significado — é algo inesquecível. No entanto, existe algo ainda mais valioso do que o conhecimento: a sabedoria.
O dicionário define conhecimento como “familiaridade com fatos, verdades ou princípios, adquirida através do estudo ou da investigação”. Já a sabedoria é a capacidade de discernir e julgar corretamente o que é verdadeiro e justo. Por outras palavras, a sabedoria é saber como aplicar corretamente o conhecimento. O rei Salomão compreendia bem o seu valor — foi precisamente a sabedoria a única coisa que pediu ao Senhor.
Na parte do mundo onde vivo, uma das perguntas mais frequentes em março é: Quem é a mulher que mais te inspira? Para mim, não é uma pergunta fácil, porque cada mulher carrega qualidades extraordinárias que despertam admiração. Continuo a maravilhar-me com a riqueza e a diversidade das suas vidas — há muita sabedoria nesta variedade.
Ao mesmo tempo, algumas mulheres deixam uma marca mais profunda nas nossas vidas e até na sociedade. O mais bonito é que, muitas vezes, nem se apercebem do quanto inspiram os outros. Vivem simplesmente de forma autêntica, e o seu legado permanece. É o caso de Abigail, cuja história encontramos em 1 Samuel 25.
Abigail viveu um casamento difícil com Nabal, um homem duro e insensato, mas nunca se deixou moldar pelo seu caráter. Ela sabia claramente quem era e que não precisava de agir como ele. Quando Nabal respondeu à bondade do rei David com insultos e ingratidão, David ficou furioso e planeou uma vingança imediata — a destruição total de Nabal e da sua casa.
Ao saber do plano de David, Abigail decidiu intervir. Enviou alimentos a David e aos seus homens, reconheceu com humildade a culpa do marido e pediu perdão em seu nome. Com sabedoria e sensatez, ajudou David a perceber a injustiça que estava prestes a cometer contra pessoas inocentes. David ouviu-a, agradeceu a Deus pela vida de Abigail e reconheceu-a como instrumento de Deus para o impedir de pecar.
Neste breve relato, encontramos uma mulher bonita, inteligente, perspicaz, acessível, sábia, humilde, honesta, pura, pacificadora e profundamente sensível aos outros. Em resumo, Abigail era uma mulher sábia.
Enquanto oramos para que meninas e mulheres tenham oportunidades de acesso à educação, juntamo-nos também a pedir ao Senhor que lhes conceda sabedoria.
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.” (Provérbios 9:10)
É uma alegria e uma honra caminhar nesta jornada convosco.

Susie Pek
Diretora Global
RTM Mulheres de Esperança




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