Lições do deserto
- Equipa RTM ME

- 10 de mar.
- 3 min de leitura

Todos gostamos de uma boa história — elas entretêm-nos, ajudam-nos a preservar a nossa história e a partilhar a nossa cultura. Mas há algo que também valorizo profundamente: a sabedoria que podemos retirar das histórias de vida das pessoas. Algumas das minhas preferidas encontram-se na Bíblia.
Ultimamente, tenho refletido sobre a reação dos israelitas ao relatório dos dez espias que trouxeram uma mensagem marcada pelo medo e pelo desânimo acerca da Terra Prometida. Em vez de confiarem em Deus, na Sua palavra e no Seu poder, escolheram temer os gigantes que tinham visto. Esta falta de confiança levou-os a passar 40 anos a vaguear no deserto. Na Sua misericórdia, Deus deu-lhes inúmeras oportunidades para aprenderem a depender totalmente d’Ele, mas, quer em tempos de escassez de água, quer em tempos de abundância com o maná, pareciam nunca conseguir aprender a confiar plenamente.
Felizmente, a Bíblia também nos apresenta histórias de heróis da fé que atravessaram desertos e sofreram, mantendo-se firmes. Noé terá suportado o ridículo durante décadas enquanto construía a arca. Abraão deixou a sua terra e a sua família para seguir Deus rumo à terra da promessa e confiou tanto n’Ele que esteve disposto a oferecer o seu filho Isaque. Os discípulos e o apóstolo Paulo enfrentaram grandes dificuldades, mas permaneceram fiéis e confiantes em Deus.
Todos nós atravessamos tempos de deserto nas nossas vidas. Estas provas nunca têm como objetivo fazer-nos cair, mas sim fortalecer-nos. É no deserto, nos momentos de sofrimento, que amadurecemos e vemos a nossa fé crescer, aprendendo a depender de Deus em todas as áreas da vida.
No último ano, tenho notado um aumento significativo do sofrimento entre os crentes. Parece que Deus está a purificar o Seu povo e a fortalecer-nos para confiarmos n’Ele em todas as circunstâncias. Ao refletir sobre isto, apercebi-me de algo profundo: não só Jesus sofreu como nós, não só é o nosso sumo sacerdote que Se identifica connosco e intercede por nós nas nossas dificuldades, como foi o único que experimentou o Pai afastar o Seu rosto, ao carregar os nossos pecados na cruz — para que nós nunca tivéssemos de passar por isso.
Por mais sombrias que sejam as nossas circunstâncias ou por mais partido que esteja o nosso coração, podemos agarrar-nos à verdade de que Deus está connosco em todos os momentos. Mesmo quando não ouvimos a Sua voz ou não sentimos a Sua presença, Ele está ali, a sustentar-nos com o Seu poder. Nos momentos mais difíceis, conseguiremos declarar em voz alta as promessas de Deus, para recordar ao nosso coração aquilo que é verdadeiro? Conseguiremos acolher a graça que Ele nos concede a cada instante?
Cada um de nós passa por estas provas para crescer e amadurecer. Mas pergunto-me se isso não será também para algo maior do que apenas nós próprios. Enquanto oramos para que o Espírito continue a agir na próxima geração, estaremos prontos para transmitir aquilo que aprendemos?
Muitos jovens, em todo o mundo, estão hoje a chegar a Cristo e a conhecer este Deus em quem confiamos e que amamos. Estaremos dispostos a caminhar ao lado deles e a discipulá-los? A ensinar-lhes que os desertos também fazem parte da caminhada com Deus? Como seres humanos, estamos habituados a querer controlar tudo. Mas viver com Deus exige uma mudança clara de mente e de coração: deixar a independência e passar a viver como seguidores d’Aquele que é soberano e tem pleno controlo de todas as coisas.
Iremos encorajar a próxima geração enquanto atravessa os desertos e sofrimentos da vida, testemunhando que Deus é bom e que caminha com eles nesses tempos difíceis? Tal como os israelitas precisavam de olhar para cima, no deserto, para ver a nuvem ou a coluna de fogo que os guiava, também nós precisamos de manter os olhos fixos em Deus — e ensinar a próxima geração a fazer o mesmo. Iremos partilhar as nossas histórias de vida e as lições que aprendemos no deserto?

Lisa Hall
Coordenadora Internacional de Oração
RTM Mulheres de Esperança




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