Deus ainda não terminou
- Equipa RTM ME

- 2 de jun.
- 3 min de leitura

Há dias em que não vemos nada além do cansaço.
Das preocupações que não param. Dos filhos, do marido, do trabalho — ou, para algumas de nós, da ausência de tudo isso: o não-filho que ainda não chegou, o não-marido que tarda, o não-trabalho que pesa.
Andamos de um lado para o outro entre dois mundos emocionais: o "estou farta de tudo isto, quero sair daqui!" e o "olho em volta e só vejo o que me falta". E raramente paramos no meio — naquele lugar quieto onde conseguimos ver com clareza.
Uma imagem que não saiu da minha cabeça
Há um versículo em Habacuque que me tem acompanhado. Deus diz ao profeta que escreva a visão de forma simples, clara — de tal modo que até "quem passasse a correr conseguisse ler com facilidade" (Habacuque 2:2-3).
O contexto era outro, muito maior. Mas o princípio tocou-me de uma forma muito concreta:
E se eu não consigo ver com clareza porque paro de olhar para a visão que Deus me deu?
Não é acidente que também em Lamentações — um livro escrito no meio de uma dor profunda — o autor encontra esperança exatamente neste gesto intencional de recordar:
"Disto me recordarei no meu coração; por isso, tenho esperança." — Lamentações 3:21
Não é um sentimento que surgiu espontaneamente. Foi uma escolha. Vou recordar. Vou trazer à memória. E dessa escolha nasceu a esperança.
O problema de viver apenas dentro do dia
Quando não vemos constantemente, quando não lemos constantemente, quando não nos lembramos intencionalmente — das promessas de Deus, do porquê das nossas decisões, da visão que carregamos — é muito fácil ficarmos completamente embrulhadas no dia-a-dia.
E o dia-a-dia tem uma forma de nos convencer de que ele é tudo o que existe.
As coisas práticas da vida têm o seu lugar. Mas não devem ser o nosso foco. E há outras — ansiedades, comparações, vozes que nos dizem que já devia ter acontecido — das quais precisamos de nos desembaraçar ativamente para continuar a lutar pelo que acreditamos que Deus tem para nós.
Uma pergunta para ti
Qual é a tua paixão? Sentes que tens uma missão — mesmo que a realidade do teu dia de hoje seja muito diferente disso?
Se sim, escreve-a. Coloca-a num lugar que vejas com frequência. Lê várias vezes. Ora sobre ela. Pede a Deus sabedoria para que cada decisão te conduza aí — mesmo as pequenas, mesmo as que parecem não ter nada a ver.
Não te deixes enrolar com a exaustão ou os revezes. Às vezes eles são bem grandes e parecem absolutamente intransponíveis. Mas há algo que precisamos de lembrar nessas alturas.
O que o criado de Eliseu não conseguia ver
Há uma cena em 2 Reis que me deixa sempre com o coração mais folgado.
O criado de Eliseu acorda cedo, sai de casa — e vê o exército inimigo a cercar completamente a cidade. Cavalos. Carros de combate. Em todo o lado.
E pergunta, com o desespero na voz que todas nós já sentimos em algum momento: "E agora, mestre? Que vamos fazer?"
Eliseu responde com uma calma que só pode vir de quem vê o que os olhos físicos não alcançam: "Não tenhas medo, porque são mais os que estão connosco do que os que estão com eles."
E depois ora. Não pelo problema — ora para que os olhos do criado sejam abertos.
"O Senhor abriu os olhos do criado e ele viu que a montanha estava cheia de cavalos e carros de fogo em volta de Eliseu." — 2 Reis 6:15-17
O exército inimigo não desapareceu. A ameaça continuava ali. Mas a realidade era muito maior do que o que os olhos conseguiam captar.
Às vezes a nossa oração mais necessária não é "resolve isto" — é "abre os meus olhos".
Porque Deus ainda não terminou.
Nem contigo. Nem com a tua história. Nem com o que te prometeu.
E mesmo quando tudo o que consegues ver é o exército à tua volta — a montanha ainda está cheia.

Rita Messias Pimentel
Equipa RTM Mulheres de Esperança
Instagram: https://www.instagram.com/ritacmpimentel/




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